5 Coisas Simples Para Começar a Ganhar o Gosto por Destralhar

 

Cresci numa família onde sempre se fez a Limpeza Grande da Primavera. Todos os anos, por esta altura, limpa-se a casa de alto a baixo. Lavam-se cortinados, tapetes, capas de sofás, edredões e cobertores; afastam-se moveis para limpar em sítios que nem sempre veem o pano do pó ou o aspirador; põe-se a arejar aquilo que não pode ser lavado; guardam-se as roupas quentes e as de verão voltam a ver a luz do dia.

Vi a minha mãe e as minhas tias a fazerem estas limpezas grandes e trouxe a tradição para a minha própria casa. É uma grande trabalheira e todos os anos digo a mim própria que é uma tarefa  hercúlea, que não estou para isto, que as coisas não estão assim tão sujas e que, se calhar, não é preciso fazer isto todos os anos. Mas depois começa a apoderar-se de mim uma espécie de comichão (se calhar é alergia ao pó…) e lá começo a minha Limpeza Grande da Primavera.

É coisa para durar 2 ou 3 meses (tal como a própria Primavera) porque não faço tudo de seguida.  Vou fazendo, divisão a divisão, conforme o tempo e a vontade. Este ano, em consequência da quarentena voluntária, a minha Limpeza Grande já começou. Já sei que daqui a uns dias vou começar a dizer a mim própria, “Mas porque é que eu me meto nisto?!” mas também sei que, quando acabar, vai saber-me muito bem olhar para a casa limpa, bem cheirosa e, acima de tudo…destralhada!

Sou, há muitos anos, uma destralhadeira profissional. Também vi os programas da Marie Kondo mas, sinceramente, a rapariga não me ensinou nada que eu já não soubesse ou não pusesse em prática (e recuso-me a dobrar a roupa como ela ensina. Não gosto, pronto!)

Por exemplo, cá em casa, sempre que entra uma peça de roupa nova, tem que sair uma que já não usamos (a regra aplica-se a toda a família) e que pode, e deve ser doada a quem precise. O mesmo acontece com brinquedos e, mais recentemente com livros. Durante o ano passado devo ter doado mais de uma centena de livros.

Lembrei-me de escrever este post porque, um dia destes, uma amiga que acha que eu sou muito disciplinada (i wish!) dizia-me que invejava a minha determinação porque ela, só de olhar para a quantidade de coisas que tinha para arrumar, perdia logo a vontade. Eu percebo, às vezes também acontece comigo. Por isso, fiz esta lista. A ideia é começar com coisas mais pequenas, que se fazem rapidamente, mas que ainda assim vão dar aquela sensação boa de que já se está a fazer alguma coisa!

Comecemos, então.

Mas porque é que nós guardamos meias sem par? Porque é que achamos sempre que a meia desaparecida há-de, mais tarde ou mais cedo, dar um ar de sua graça? Não vai acontecer! A minha teoria é que vemos demasiados filmes românticos e por isso ficamos a achar que vai haver um happy ending. Não. Lamento, mas no caso das meias, não vai acontecer. A meia desaparecida não vai reunir-se com a meia desamparada, num bonito pôr do sol no cais de embarque. Tenham juízo! Livrem-se da meia solteirona.

Toda a gente tem, no mínimo, uma gaveta para onde atira (sim, atira) toda a tralha que não tem um sítio próprio. Eu tenho duas, uma na cozinha e outra no móvel do hall de entrada. Já destralhei a da cozinha e nem queria acreditar nas coisas que lá tinha. Tralha. 80% daquela gaveta era tralha. Nada que faça realmente falta, coisas fora de prazo, livros de instruções de electrodomésticos que já nem possuo, and so on and so on. Tralha!

Na minha casa, “aquele canto” é onde toda a gente põe as coisas que não quer arrumar logo quando chega a casa. Os casacos (estão pendurados na parede, mas já são cerca de mil), calçado, o guarda-chuva, sacos de roupa para dar, uma bola de futebol. “Aquele” canto mexe muito com os meus nervos porque, ainda por cima, é a primeira coisa que vejo quando entro em casa. Mais dia menos dia, vou ter que me chatear com “aquele canto”!

Por último, duas coisas que não são “da casa” mas que também precisam de um destralhanço:

Antes de mais, para mim que não sou classe alta, carteira é o porta moedas e mala é…a mala, onde se guarda a carteira (porta-moedas) E se alguma tia estiver a ler isto, pela minha parte, nada contra, cada qual é como é e dá às coisas o nome que lhes quiser dar 😉

Ora na mala é onde guardamos a carteira e mais umas quantas coisas que, na maior parte das vezes, não estão lá a fazer nada! Comecem pelos talões de multibanco e pelas faturas. Deitem fora o que não faz falta e guardem o que tiverem de guardar (eu tenho uma mica onde ponho as faturas). Na mala de uma mulher, já se sabe, há de tudo e mais alguma coisa. Aproveitem agora para tirar lá de dentro aquela bolacha da criança, o brinquedo, os lenços de papel usados e os 3 batons. Chega um, não?

Aquelas que os nossos filhos instalam no nosso telemóvel (descobri ontem que tinha vários jogos relacionados com futebol no meu telemóvel) mas também aquelas que instalámos e que afinal, ou nunca usámos ou já vimos que afinal não são aquilo que pensávamos. Só estão a ocupar espaço! É apagar.

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